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   Escritores Maranhenses e Paraenses      Um breve colóquio entre o aprendiz e o mestre
Atualizado quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

   UM BREVE COLÓQUIO ENTRE O APRENDIZ E O MESTRE

 

ASSUNTO: POETA DE VÁRZEA

 

— Mestre uma pessoa qualquer que escreve uma poesia, ela pode ser chamada de poeta?

 

— Não pode e não deve receber a denominação de poeta. Ela ainda está longe de ser o que a chamam erroneamente: poeta. Vamos utilizar como parâmetro o futebol. O sujeito que joga uma bola com certa habilidade, não é um jogador de futebol, ele é um apreciador da bola e se exercita praticando com ela.

 

— Ah! Entendi! O camarada só será um poeta se a poesia dele receber a apreciação e elogios de outros poetas! É isto?

 

— Não! A aprovação do colega do apreciador de bola, que joga no mesmo campo com ele com a mesma satisfação e necessidade de se exercitar, não transformará o seu companheiro de pelada em um jogador de futebol.

 

— Ah! Agora eu acho que compreendi! O indivíduo que escrevinha uma poesia que não é considerada muito boa, só será reconhecido como poeta quando participar de concursos de poesia e conseguir ser premiado em primeiro lugar. Mostrando assim que ele é o melhor entre todos que participaram! Acertei?

 

— Errou! Mesmo depois de premiado, ele não deve ostentar as glórias que um verdadeiro poeta merece. Na maioria dos concursos, principalmente os que oferecem prêmios risíveis, pois eles são promovidos sem apoio financeiro e cultural de espécie alguma. Os jurados apenas arrogam para eles o entendimento da poesia, mas coitados deles! Não entendem nada! Eles se congregam sem a menor convicção para a escolha de determinada poesia como a melhor entre as piores, mas não sabem apontar as qualidades e os defeitos! Conseguem abrir as bocas e dizerem sem emoção “gostamos mais desta, as outras nós não entendemos!” é idêntico ao campeonato de futebol praticado entre os bairros. O time campeão não joga nada perde de goleada para o último colocado da série C; e o jogador considerado craque do campeonato não consegue aprovação para jogar em nenhum dos piores dos times das três divisões!

 

— Huuummm! Está difícil, mas estou conseguindo visualizar em que condições o cidadão poderá ser chamado de poeta! Quando ele finalmente tira o dinheiro do bolso dele e lança na feira do livro, um livro de poesia! Atingi no alvo grande mestre?

 

— Errou novamente! Não importa se ele lançou ou deixou de lançar um livro ou um livrete de poesia, mesmo assim ele não será um poeta! Bom! Quer dizer, ele poderá ser visto como poeta, mas somente por pessoas iguais a ele, desprovidas de sentimentos e da natureza poética! A mesma coisa acontecerá com o craque do campeonato de futebol dos bairros, se ele conseguir a façanha de jogar todo equipado em um time profissional, o uniforme do time não vai fazer com que ele se torne um atleta com nível suficiente para ser contratado como jogador profissional de futebol! Ele permanecerá um amante do futebol!

 

— Mas mestre! Então neste caso este apreciador da poesia deve receber que denominação?

 

— Ele é na poesia o que o jogador da periferia é no futebol. Craques iguais ao amante da redonda existem de montões! POETA DE VÁRZEA se manifesta aos magotes por aí!

 


Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718 

Escrito na sexta-feira, 24 de julho de 2009.