Autores Maranhenses e Paraenses
A criatividade fala mais alto: valorização & divulgação das duas regiões
   Escritores Maranhenses e Paraenses      São Luís do Maranhão faceira de outrora
 
Atualizado em 10/02/2016

SÃO LUÍS DO MARANHÃO FACEIRA DE OUTRORA

 

Folguedos que povoam a lembrança de um adolescente que se viu crescendo feliz, ao mesmo tempo em que vivenciava a evolução lenta da sua querida cidade de São Luís, que em um ponto congelado pela saudade na memória do garoto, evoluía com a mesma capacidade que demonstrava que podia permanecer esmorecida na preguiça e no progresso estagnado, sem que ninguém reclamasse dela ou dos seus políticos. Muito menos eu, me atrevi a reclamar, pois eu adolescia e nada via que me fizesse lamentar!

 

A cidade certamente em um determinado ponto da existência dela começou a crescer, mas eu não assisti. No entanto as alegrias em que ela gentilmente se fez palco, para que eu vivenciasse cada momento de felicidade de um dos períodos mais importantes da minha vida, isto eu nunca deixei que caísse no esquecimento.

 

Duas situações distintas me puxaram suavemente para o prazer da leitura e da escrita, foi primeiramente minha mãe através dos seus conselhos sábios, pacientes e objetivos. E em segundo lugar as horas a fio, que em companhia dos meus amigos eu me quedei sentado no meio-fio da calçada da praça admirando os acadêmicos que entravam ou saíam da Academia Maranhense de Letras. Foi lá, em frente olhando para o prédio majestoso (na época me pareceu imenso do tamanho da quadra que ele ocupava), que eu prometi que seria escritor. O nome da praça eu esqueci, mas a academia e a promessa que eu me fiz, jamais saíram da minha mente. Aparentemente tudo é tão recente, mas já se passaram mais de quarenta anos. Retornei a São Luís por diversas vezes, mas me recusei a substituir as doces lembranças de outrora, pelo novo feitio da academia que conheci, ainda que provavelmente seja mais bonita e mais moderna, preferi continuar como antes: sem conhecê-la por dentro e acreditando que a conheço por fora.

 

Os meus amigos de uma reminiscência longínqua José Alberto, Bahia, Cotrim, Joaquim eu e nossas respectivas namoradas estudávamos no Colégio São Luís, distante uma quadra da Praça Gonçalves Dias, o nosso santuário de namoro de todos os dias, onde raramente não nos sentávamos aos pés do monumento do incomparável poeta Maranhense que permanecia mudo de voz, mas nos inspirava da forma correta nos momentos dos galanteios adocicados para que pudéssemos colher nos lábios das namoradas os beijos pueris quase inocentes.

 

Mantínhamos um acordo entre nós, que em determinados dias da semana engabelávamos o pequenino diretor do colégio com as mais desvairadas desculpas ou por meio de subterfúgios inacreditáveis: corrompíamos o porteiro, pulávamos o muro, nos infiltrávamos no meio de outras turmas que eram dispensadas por motivos variados ou brigávamos entre nós para sermos mandados para casa mais cedo.

 

Fora do Colégio a cidade era nossa. O ponto de encontro, o de sempre, o meio-fio da quadra em frente da Academia. Tudo o que carecíamos estava ao nosso alcance nas proximidades dos arredores da Academia, não precisávamos ir longe, e éramos conhecidos no setor, o que facilitava e priorizava os nossos divertimentos. Lá recolhíamos abiu que caíam dos frondosos abieiros, e os comíamos para nos distrairmos enquanto discutíamos o que faríamos naquela tarde.

 

As opções de diversões se abriam feito um leque. Poderíamos alugar bicicletas para passearmos com nossas garotas sentadas nos quadros, enquanto nos deliciávamos com o perfume e as caricias dos cabelos delas que o vento esvoaçava sobre os nossos rostos. Driblar o trocador do bonde, também era divertido, principalmente se nossas pequenas se esbaldavam em gargalhadas diante das nossas fugas perigosas em que descíamos e subíamos do bonde fugindo para não pagar passagem. Divertíamo-nos a valer quando alugávamos o carro de um taxista que ficou nosso amigo, ele nos ensinava a dirigir em um conjunto habitacional praticamente desocupado, recém-concluído no bairro do João Paulo.

 

E do outro lado da rua, de frente para a mesma praça, ao lado do colégio Santa Rosa, em uma das duas casas em que os alunos costumavam merendar, nos enfurnávamos no interior da residência, longe dos olhares indiscretos e desfrutávamos o privilégio de escondidos podermos fumar e beber cerveja acompanhada de tira-gosto, como se fôssemos gente grande.

 

Esta era aquela São Luís do Maranhão, que nas épocas dos carnavais proliferavam nas bancas dos camelôs os fatídicos lança-perfumes que eram vendidos livremente sem que representassem ameaças para crianças ou adultos.

 

O tempo passou, e o cloreto de etila perfumado mantido sob pressão (lança-perfume) foi proibido, e a cidade de São Luís do Maranhão ficou livre dos políticos retrógados, progrediu e permanece progredindo linda e maravilhosa! A diversão dos que passeiam pela adolescência já não é a mesma, e tudo nela é idêntico ao rio que passa debaixo da ponte: ele continua lá, mas não permanece o mesmo. São Luís, tão somente consegue manter o encanto de se fixar na mente dos seus filhos, estejam onde estiverem, e eles por sua vez, não conseguem esquecê-la um instante sequer!

 

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 03/2010.





                                                                       
                                                                       Praça Gonçalves Dias - São Luís - MA