Autores Maranhenses e Paraenses
A criatividade fala mais alto: valorização & divulgação das duas regiões
   Escritores Maranhenses e Paraenses      Quem tem próstata tem medo
   
Atualizado em 07/02/2016

QUEM TEM PRÓSTATA TEM MEDO

 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou através de uma nota lá pelos idos de 2008 no mês de novembro para ser mais preciso, aos quatro ventos deste país que está repleto de homens com mais de 45 anos, a mais feliz das notícias para os homens que valorizam suas PRÓSTATAS e suas portas de acessos para elas! O (IPEA) - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, afirmou que no Brasil, os idosos já somam mais de 12 milhões.   Não deve ser fácil meu amigo — eu não fiz e jamais farei — você se deparar com a imposição de pagar caro para um urologista — a maioria deles nasceram e se criaram enfiando o dedo no nariz, por este motivo, possuem um dedão grosso — e ficar sentindo na pele que a sublime porta que guarda sua próstata está sendo invadida! E a única coisa que você pode fazer, depois de ter consentido é ficar olhando para os pés do invasor, sem poder interpretar a reação facial de quem o desconsidera!  Não! Nem por um momento imagine que eu esteja fazendo uso de expressão chula! De maneira nenhuma! Eu apenas estou preparando os coroas que ainda não fizeram o PSA (sigla de antígeno prostático específico) para receber a excelente e inacreditável notícia e anunciando para os que já se deixaram examinar, que eles não precisarão mais repetir a famigerada experiência. O conceituadíssimo Instituto Inca dono da maior das credibilidades do Câncer perante a classe médica afirmou na nota publicada por eles que: desaconselhavam homens sem sintomas a fazerem o exame clínico (toque retal) e muito menos o teste sanguíneo para medir a dosagem do PSA usados como forma preventiva de diagnosticar o câncer de próstata. O instituto fez questão de acrescentar que as medidas preventivas só serão indicadas quando o paciente apresentar sinais como presença de sangue na urina, dor ou queimação ao urinar. O que significa dizer, que o homem quando alcançar a maturidade só deverá deixar-se examinar após sentir os sintomas citados.

 

Fiz questão de fazer parecer uma época muito distante, por causa do longo tempo que esta novidade é esperada. Finalmente ela chegou repleta de pormenores, o referido órgão argumentou em primeiro lugar a falta de comprovação científica, pois da forma como a questão é esmiuçada arduamente pelos seus pesquisadores não fica evidente que os exames reduzam a mortalidade. E que também não é sempre que todos os tumores precisam de tratamentos. Existem as exceções. A epidemiologista Ana Ramalho, da Divisão de Gestão de Cancerologia do Inca posicionou-se com uma afirmativa próxima dessa: Se o tumor for daqueles que evolui lentamente, então o paciente prostático poderá conviver com ele sem sofrer danos à saúde.

 

As entidades médicas ao tomarem conhecimento da revelação tão bombástica ficaram perplexas, principalmente por elas, se posicionarem totalmente contrárias com os seus pareceres diagnosticáveis de câncer de próstata. O presidente da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia – São Paulo) o dignificante urologista Ubirajara Ferreira contestou na mesma linha de raciocínio dos seus colegas quando disse alto e em bom-tom: “o paciente que ficar na expectativa de que os sintomas possam ocorrer para só então ir ao médico, ele corre o risco de morrer. Quando os sinais aparecem, o tumor já está em estágio avançado”. Mais especialistas contestaram acusando o Inca no sentido de que ele, se fundamentou em estudos que não foram concluídos. Disseram também que: a divulgação impensada deverá condenar a morte, milhares de homens que se sentirão confiantes e não procurarão tratamento. E as acusações não terminaram. Os que se especializaram na cura dos prostáticos, acrescentaram que: aparentemente a postura do instituto diante da gravidade do caso esconde a intenção de redução de investimentos na saúde pública.

 

Quando os homens que se submeteram ao toque; e os que já estão ensaiando suas idas aos consultórios dos urologistas ficarem sabendo que uma mulher tomou a decisão de que a saúde pública não mais efetuará exames preventivos de diagnósticos de câncer de próstata. Com certeza o acontecido lhes causará certa estranheza! Pela lógica, a médica Ana Ramalho, não poderia gozar do poder de decidir o cancelamento dos benefícios do tratamento público, na prevenção de uma doença da qual ela não tem como padecer! Para a gerente do Inca ficou confortável. O assunto não mereceu considerações para descobrir quem estava certo: o Inca ou a SBU? A única coisa que parece certo no desenrolar desta polêmica do enfia e desenfia dedo é que cada um que cuide do seu fiofó! Porque não existe uma Ana Ramalho ― com poder ou sem poder ― que venha a se preocupar se os pacientes da doença de próstata vão morrer ou vão viver.

 

Foi mostrado recentemente na grande São Paulo, nos noticiários diários e repetitivos. A imensa fila de espera dos velhinhos com câncer de próstata diagnosticado aguardando por mais de doze meses, retornando todos os meses ao hospital na expectativa de conseguirem finalmente uma intervenção cirúrgica. Mas tudo o que eles conseguiram durante esse longo período foi constatar que os direitos de cidadão e de idoso que eles acreditavam que tinham! Não tinham! O desrespeito com suas conquistas adquiridas ao longo de suas vidas, fez com que eles vissem o prenúncio de suas mortes acompanhadas pelo cortejo da desconsideração que gritava aos berros: vão se danar! Vão se danar!

 

Aparentemente o cerne da questão não é saber se a verba para os exames preventivos de diagnósticos deve ser cortada ou não! Mas reconhecer a calamidade, a maldade e o desrespeito que o sistema está praticando contra os idosos, os mesmos idosos que o próprio sistema disse em um passado recente que o protegeria, quando o Congresso Nacional decretou e o Presidente da República, sancionou em 1º de outubro de 2003, a lei nº 10.741. (Art. 1º ― É instituído o Estatuto do idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.) Não estranhe se eu estou associando o câncer da próstata com os idosos. Informações divulgadas na (ISTO É guia da saúde familiar 17) com a supervisão médica do hospital israelita Albert Einstein, afirmou “Quando um homem envelhece sua próstata usualmente aumenta de tamanho. A maior parte deste aumento ocorre após os 50 anos, de modo que afeta pessoas de maior idade.” “Na maioria dos homens a próstata aumenta à medida que envelhecem. Por meio de um microscópio, esse aumento benigno (simples, não canceroso) é visto como uma alteração chamada hiperplasia benigna da próstata.” Parece complicado, mas é fácil de explicar: o poder público dá com uma mão e tira com a outra. As explicações ainda não se esgotaram, tem mais uma: é possível que a poderosa Ana Ramalho, os Deputados e os Senadores não tiveram a felicidade de assistirem os seus avôs e os seus pais envelhecerem distribuindo carinho para eles e padecendo das doenças próprias da velhice. O idoso que teve o privilégio de caminhar segurando a mão amiga de um avô, jamais prejudicará o avô de uma criança que idêntico a ele está precisando da mão amiga do avô. Só os políticos milionários que já alcançaram a terceira idade, não atribuem relevância para esta lógica. Será que a consciência de cada um deles foi apagada? É possível!

 

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 01/2010.