Autores Maranhenses e Paraenses
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   Escritores Maranhenses e Paraenses      Para o Haiti tudo o que o Brasil não tem
Atualizado em 10/02/2016

PARA O HAITI, TUDO O QUE O BRASIL NÃO TEM

 

Isto é o que pode ser chamado de caridade esdrúxula para encher os olhos do mundo. No tempo dos meus avôs a sabedoria deles estava sempre repetindo “quem não pode com o pote não pega na rodilha”. E eles também diziam “não se descobre um santo para cobrir outro”. Mas, infelizmente o grande Estadista Global (antes que o mundo o reconhecesse como Estadista, eu o reconheci por diversas vezes) não se recorda dos dizeres dos avôs dele, porque se recordasse perceberia que o país mesmo com a economia andando com seus próprios pés (segundo o Ministro da Fazenda) não é esta potência que se esmera em ser. Não tem a costa tão larga que suporte pagar a conta dos outros, se ainda não correspondeu com a conta dos seus necessitados do atendimento do SUS.

 

O brasileiro miserável periférico está morrendo à míngua, pois não consegue sequer uma consulta com um médico em um Posto de Saúde, ao menos para ouvir de viva voz, que ele vai morrer porque não pode comprar o remédio receitado, pois as farmácias públicas não possuem no estoque nem mesmo os genéricos para salvá-los da morte certa. É verdade! O coitado do doente para conseguir marcar uma consulta nos hospitais de Urgência e Emergência da rede pública precisa ficar na fila, das cinco horas da manhã até as quinze horas, para receber uma senha dizendo que ele deve voltar naquela unidade de saúde no prazo de seis meses, nove meses ou um ano. Depende da sorte do pobre azarado. Geralmente 50% dos infelizes não voltam. Eles morrem antes.

 

Aparentemente o Ministro da Saúde e os que liberaram os 135 Milhões de Reais para enviar para o Haiti, não estão sabendo que o SUS está passando por esta situação caótica. Nos hospitais faltam médicos, medicamentos, leitos, enfermeiros, pessoal administrativo de apoio, comida para os doentes e ambulâncias.

 

A bendita farmácia popular não tem a cara do BRASIL, ela é muito sofisticada como poucas farmácias particulares. Instalações caras, o conforto do ar-condicionado, funcionários atendendo diretamente nos computadores para verificar os estoques dos remédios que estão sempre em falta. A venda só é feita mediante a apresentação da receita médica (que o coitado do pobre e necessitado doente só consegue depois de meses de espera) isto é um achincalhe para o miserável necessitado de tomar o remédio para adiar o dia da sua morte. A farmácia basicamente está atendendo os menos necessitados, aqueles que pagam consulta particular. Aparentemente elas são farmácias de primeiro mundo, não merecem o nome de popular.

 

Bem que poderia ter sido reservado (para contratar médicos plantonistas nas farmácias, que fariam consultas relâmpagos) um percentual dos milhões de reais que foram enviados ao custo da morte de milhões de miseráveis, que não conseguem sequer ver a cara do médico em um Posto de Saúde. A possibilidade de comprarem uma medicação barata e prescrita pelo doutor clínico geral, associada com a fé de que o medicamento vai curá-los, salvaria a vida de milhares de brasileiros que morrerão na penúria mesmo sem um terremoto na periferia onde eles moram. É complicado entender esta caridade extravagante em que o Ministro da Saúde fomenta através de um projeto, a proposta de remeter para o HAITI valores elevadíssimos que seriam da maior importância se fosse utilizados aqui mesmo dentro do país nos postos de urgência e emergência do setor público.

 

No dia 27 de janeiro de 2010, com o título de COOPERAÇÃO INTERNACIONAL o Ministério da Saúde informou com o tom de vitória estas coisas mirabolantes e absurdas, que serviriam muito mais para serem escondidas do que anunciadas, já que as medidas representaram a usurpação de bens de saúde que beneficiariam os miseráveis desta pátria, para beneficiar os seus iguais daquela outra pátria.

 

“MP autoriza recursos para reestruturação da saúde no Haiti, R$ 135 milhões serão utilizados em ações como a construção de 10 Unidades de Pronto Atendimento.”

 

“O governo federal abriu nesta quarta-feira (27) crédito extraordinário no valor de R$ 135 milhões para o plano de auxílio e reestruturação de saúde do Haiti. O projeto, apresentado no último dia 21 pelo Ministério da Saúde, prevê a construção de 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o envio de 50 ambulâncias para o país atingido por terremotos. A proposta inclui a organização da atenção básica, capaz de atender cerca de 80% dos agravos de saúde, e o apoio aos trabalhos da Pastoral da Criança no Haiti. Entre as ações, o Ministério da Saúde prevê o aumento de R$ 3,5 milhões no repasse para a Pastoral da Criança, fundada por Zilda Arns Neumann na década de 80, com o objetivo de que a entidade possa continuar o seu trabalho no Haiti”.

 

“SUPORTE – O plano prevê ainda o suporte de equipes de profissionais de saúde para assistência imediata à população, serviços de saúde temporários e atividades de prevenção e controle de doenças transmissíveis, uma média de 30 profissionais por mês”.

 

“A UPA será enviada em partes pré-fabricadas no Brasil. Os módulos serão encaminhados por navios e montados no Haiti por brasileiros. O custo das dez unidades será de R$ 50 milhões. Outros R$ 60 milhões serão utilizados para custear o trabalho dos profissionais da saúde que atenderão nessas unidades. As UPAs são do tipo 3, com até 20 leitos e capacidade para atender até 450 pessoas por dia, cada uma. E cada unidade terá consultórios de pediatria, clínica médica, odontológica e de ortopedia, além de laboratório clínico e salas de raios-x, gesso, sutura, medicação e nebulização”.

 

“As 50 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) a serem doadas ao Haiti serão equipadas com a aparelhagem de UTI móvel (Unidade de Tratamento Intensivo). O serviço será uma ferramenta de integração entre o atendimento ao cidadão, UPAs e hospitais. O custo total é de R$ 10 milhões”.

 

“O plano também prevê o atendimento dos agravos mais comuns, além da promoção de saúde e medidas de prevenção de doenças. Para isso, consultores devem estruturar um programa de Saúde da Família local. A partir da atenção básica, cerca de 80% dos problemas de saúde podem ser solucionados, desafogando o atendimento de urgência e emergência”.

 

"Cada equipe de Saúde da Família é composta por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e entre cinco e seis agentes comunitários. O grupo tem por missão fazer o acompanhamento básico da população, o que envolve o atendimento, a recuperação, a reabilitação e a manutenção da saúde da comunidade”.

 

“O Ministério da Saúde encaminhou, no último dia 22, para a Base Aérea do Rio de Janeiro, cerca de 150 toneladas de medicamentos e insumos para as vítimas do terremoto no Haiti. Os medicamentos são doações da Farmaguinhos/Fiocruz (40 toneladas) e arrecadações da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás, que entrou em contato com diversos laboratórios do estado (aproximadamente 110 toneladas). Na remessa, estão incluídos anti-inflamatórios antibióticos e anti-hipertensivos, entre outros medicamentos”.

 

Se esta inacreditável fortuna em dinheiro chegasse um dia diretamente nas mãos dos Diretores dos Hospitais de Urgência e Emergência de um dos dois estados: norte ou nordeste. Milhares de vidas seriam salvas, um número incalculável de doentes seria consultado e outro tanto de crianças deixariam de crescer raquíticas e mortas de fomes, se as entidades filantrópicas de lá recebessem o aumento de R$ 3,5 milhões no repasse idêntico ao que foi concedido para a Pastoral da Criança, fundada por Zilda Arns Neumann.

 

Continuando no terreno da hipótese de que seria encaminhada cerca de 150 toneladas de medicamentos e insumos para um destes dois estados, o povo de lá se tornaria visionário ou acenderia as superstições dele, de que o fim do mundo estava chegando, por este motivo ele tomaria remédios sem precisar pagar e viveriam felizes e sadios até o fim dos tempos.

 

O informativo deveria carregar o título sugestivo de: COOPERAÇÃO EM BUSCA DE AFIRMAÇÃO NO MUNDO FINANCEIRO.

 

E o país verde e amarelo que possui milhões de doentes para ajudar (no norte e no nordeste principalmente) deveria ter deixado que as dezenas de Nações Resolvidas Economicamente PEGASSEM SUAS RODILHAS, PARA CARREGAREM SEUS POTES, CHEIOS DE OSTENTAÇÕES E FALSAS CARIDADES DE CUNHOS PROMOCIONAIS!

 

 

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 02/2010