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   Escritores Maranhenses e Paraenses      Os miseráveis amam e eles também comem
 
   
Atualizado em 06/02/2016

OS MISERÁVEIS AMAM? E ELES TAMBÉM COMEM!

 

Pasmem! Os homens poderosos, aqueles que carregam nas canetas deles o poder de mandar fazer e desfazer. Acreditam durante o dia e a noite, que os miseráveis só sabem praticar violência. Não é por aí, a veia jugular é mais para a esquerda, se procurar e encontrar pode furar que ela não vai sangrar. Viver uma vida de miséria é fazer malabarismo de várias formas. Quando o dia amanhece o sujeito dá pinote para tudo quanto é lado, amanhece em um cubículo de madeira apelidado de barraco, ele e a família dormindo no chão. Deitados grudados uns nos outros, cobertos por molambos fedorentos. Digamos que a família do referido seja formada por: mulher, dois adolescentes e duas crianças. Depois que os seus familiares estiverem acordados e de pé no meio do barraco, o pensamento será um só: o que vamos comer hoje? Não! Eles não pensam nada diferente disto! Qualquer outro tipo de reflexão será inútil imaginar para eles. Pois se revelará inadmissível para os estômagos deles! Sim, eles pensam com os estômagos, porque é lá que está doendo à necessidade deles! Nada é mais importante para eles do que matar a fome, pelo menos comer qualquer coisa, eles não exercem o prazer da escolha! Em nenhum momento se dedicam a detectar a diferença de uma coisa para outra, do tipo: o feio e o bonito, o limpo e o sujo, a alegria e a tristeza, o conforto e o desconforto, o bem e o mal, o certo e o errado.

 

Depois de horas pensando a mesma coisa e sem encontrar uma resposta, eles então partem para um segundo pensamento, precisamos arranjar comida de qualquer jeito, custe o que custar!  Este é o momento crucial! É aí que reside o perigo, o nascedouro da violência, onde tudo começa. E neste momento o Governo deveria estar preparado para responder a primeira pergunta do indivíduo e da família dele. O Governo carrega nas costas, a responsabilidade de sanar os problemas e proteger todo cidadão. Sem exceção, do miserável ao milionário. E o caminho mais curto seria suprir suas principais necessidades. O Governo não pode se escusar dos seus compromissos, não deve tirar da lembrança, que foi ele de livre e espontânea vontade que escolheu ser Governo. Também não deveria deixar as resoluções nas mãos dos seus Ministros, a responsabilidade não deveria ficar a cargo deles, eles não escolheram ser Governo, foram escolhidos e convidados para assumirem suas pastas, alguns deles assumem a contragosto, por vaidade, sem nenhum sentimento cívico ou social, acreditando que só devem gratidão ao Presidente e ao Partido. E o Povo que se lixe! Ele — o Ministro — não precisou do Povo para assumir a pasta. É por tudo isto que o Governo deve corresponder aos anseios de cada uma das duas classes, se fizer isto estará combatendo a violência. O sujeito miserável necessita de comida, então o responsável pela pasta que engloba o abastecimento deveria oferecer meios para o dito-cujo se alimentar. Porque se tiver o alimento, ele não chega a formalizar o terceiro pensamento, vamos praticar assaltos, e vamos dispostos para matar, se alguém tem que morrer que morra os do lado de lá!  O cidadão que vai ser assaltado e assassinado será exatamente o que acreditou no homem que pediu para ser Governo, mas que infelizmente não correspondeu com suas expectativas, porque transferiu obrigações que seriam dele, para os seus nomeados, que assumiram as pastas da Segurança, da Comilança, da Comiseração, da Suscitação, da Argumentação. Por outro lado o milionário necessita de condições favoráveis para investir. Ele clama por juros baixos. Porque afirma e reafirma, que no momento em que for atendido em suas pretensões surgirão investimentos e vagas no mercado de trabalho. Com empregos disponíveis no país, muitos dos delinquentes irão trabalhar e não terão mais os três primeiros pensamentos do dia. E a violência cairá assustadoramente, desaparecerá a necessidade de praticar assaltos com mortes.

 

A fórmula para baixar os juros e para fornecer gêneros alimentícios, eu tenho convicção que o Governo conhece, com certeza melhor do que eu, mas mesmo assim, não vou me esquivar de apontar o meu jeito de fazer. Ele é simples demais, só precisa de: dinheiro, decisão de Estadista e disposição para acabar com a violência. O fornecimento seria feito através de grandes galpões que seriam construídos a toque de caixa, construções pré-moldadas, eles seriam supermercado do povo, poderiam receber o nome de “Bolsões”. Com a simples intenção de facilitar o controle, iniciariam fornecendo apenas vinte itens. Para adquirir os produtos do Bolsão, o necessitado, só precisaria se cadastrar juntamente com toda família, e imediatamente conquistaria o direito de receber um quilo — para cada uma das pessoas residentes na mesma casa — de quatro itens escolhidos entre os disponíveis no Bolsão, com isso, eles poderiam exercer o direito de escolha entre vinte opções. O fato de poder escolher faria com que não se sentissem constrangidos. A oferta dos produtos teria que ser feita com dignidade, em lojas apresentáveis, confortáveis e com atendimentos respeitosos e dedicados. Aí sim, diante da existência da possibilidade de receberem atendimentos adequados e com a certeza de que comeriam todos os dias, nunca mais os esfomeados teriam os três primeiros pensamentos do dia.

 

Bom! Agora só falta responder se os miseráveis amam ou não. Sim! Eles amam os familiares deles! E é por isto que praticam assaltos e cometem crimes bárbaros, em troca de quantias irrisórias. Mas veja bem: a importância só será insignificante para quem estiver cheio do dinheiro e sem a preocupação de querer saber o que irá comer no presente dia? O miserável quando se coloca diante das vias de fato: a execução do assalto. Correndo o risco de morrer e decidido a matar! Não está preocupado em saber quanto roubará? Qualquer valor serve. O importante é que seja suficiente para ele e os familiares dele comerem naquele dia do assalto. Depois do terceiro pensamento.  Logo em seguida eles vão para a rua assaltar e matar novamente. Não é o roubo que está em jogo, de maneira nenhuma! Ele sozinho ou em companhia dos membros da família em condições de apoiá-lo no assalto criminoso, não o praticam com a intenção de trazerem rios de dinheiro para casa, só querem o necessário para o dia! Não estão preocupados com o outro dia, acreditam de boa-fé, que o crime o proverá. Quem tem intenção de angariar envelopes cheios de dinheiro são os Ministros. Principalmente o da pasta da energia! E eles são exigentes, o dinheiro tem que ser entregue no escritório, em espécie e livre de impostos! Entre os dois ladrões, qual dos dois comete maior violência contra o país? Esta é uma resposta difícil, só um homem íntegro, acima de qualquer suspeita poderá responder! Que tal o presidente do Senado? Não! Não é aconselhável perguntar para ele? Então quem deverá apontar os culpados pela violência no país? Sim, este que estamos pensando é bem provável que aponte, ele tem um jeitão de povo, caneta poderosa, linguajar sofrível, muitos podres já explodiram perto dele, mas nem ao menos o respingaram! Se ele continuar assim e agregar um pouco mais de boa vontade, vai desbancar grandes nomes da história e sem a menor cerimônia sentará nos assentos deles! Faço votos que ele se encha de boa vontade, e ao invés de apontar o culpado, ele resolva amenizar a violência transformando os Bolsões em realidade!

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 27/12/2009.