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   Escritores Maranhenses e Paraenses      O novo modelo de gestão do SUS é uma passada de mão na cabeça do povo
Atualizado em 02/2016

O NOVO MODELO DE GESTÃO DO SUS É APENAS UMA PASSADA DE MÃO NA CABEÇA DOLORIDA DO POVO

 

Como seria bom se por obra de um milagre, ao menos desta vez funcionasse o decreto presidencial publicado na quarta-feira (29/06/2011) definindo as responsabilidades da União, dos estados e dos municípios regulamentando a Lei Orgânica da Saúde, em vigor desde 1990.

 

O Decreto da presidenta Dilma Rousseff institui com a maior da boa vontade, mecanismos de controle mais eficazes e novos instrumentos direcionados para serem utilizados pelo Ministério da Saúde na atuação do monitoramento e na garantia da melhora do acesso à saúde em todo o país. A cúpula dos que mandam na saúde, ou seja, aqueles que não fazem nada, quando muito, assinam de vez em quando uma portaria acredita que o SUS oferecerá serviços e atendimentos de maior qualidade de forma mais rápida e eficiente.

 

Esta coisa toda, relacionada com regulamentação, teve início e criou força a partir da resolução que foi tomada diante do diálogo com os estados (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), os municípios (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e mais o que não poderia ficar de fora: o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha ficou tão empolgado com o resultado da conversa travada com os citados Conselhos Nacionais, que se encheu de coragem para falar esta bobagem, que não corresponde com a realidade brasileira, “O decreto é o reconhecimento de que o centro do SUS é o cidadão e que ele tem direito de participar da definição das políticas públicas de saúde e exercer o controle social da execução dessas políticas”. Não satisfeito, continuou falando “Estamos dando mais transparência à estrutura do SUS e garantindo maior segurança jurídica para que municípios, estados e União atuem de forma harmônica e integrada”.

 

Padilha recebeu a regularização com a esperança de que ela seja o marco de um novo modelo de gestão do SUS. O decreto chegou inovando pelo simples fato de ter instituído a política permanente de atendimento em rede, o surgimento dos serviços complementares que ampliarão os benefícios aos usuários do SUS. O exemplo apontado foi a Rede de Atenção ao Câncer de Mama e de Colo de Útero, lançada em março direcionada para oferecer prevenção, rastreamento e tratamento generalizado em uma mesma região de saúde.

 

Os gestores poderão contar com a opção da nova Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde do SUS (Renases), que na verdade será o controle das ações e dos serviços que o SUS oferecerá ao cidadão e revisará a cada dois anos. Contarão também com a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), que controlará a lista dos medicamentos indicados pelos médicos e bancados pelo SUS.

 

Tudo isto que consta no papel do famigerado decreto seria muito bonito se funcionasse de acordo com a vontade dos poucos homens e mulheres de bem, que lutaram, debateram, por horas e horas nos encontros cansativos realizados pelos Conselhos Nacionais.

 

Não vai funcionar. Permanecerá como sempre funcionou. Pelo menos na belíssima cidade de Belém, no conceituado hospital Ophir Loyola referência em tratamento oncológico da rede de saúde pública, em que as pessoas precisam chegar para ficarem na fila desde as quatro horas da madrugada acreditando que conseguirão marcar uma consulta antes que morram do mal que as estão matando. Na maioria das vezes os pacientes morrem e não conseguem o tão sonhado encontro com o especialista, quando tiram a sorte grande e marcam ficam esperando em casa até o dia determinado para ver o médico, geralmente entre três e seis meses de espera. A metade dos que marcaram para serem examinados, não resistem e morrem antes do grande dia.

 

A miserabilidade da morte não para por aí, o sortudo que consegue se avistar com o médico e realizar todos os exames pedidos, depara-se com a porta do inferno, a triste realidade: a inexistência de leitos suficientes para os doentes que estão necessitando se operarem dos mais diversos males que os afligem. O que pareceu sorte, não é! A espera poderá se arrastar por seis ou até doze meses.

 

Recebem a notícia por meio das assistentes sociais (o último elo do paciente com o hospital e a esperança de cura), que são sem exceção, umas verdadeiras megeras vestidas de branco, dispensam ao povo miserável esperançoso, o pior dos atendimentos, elas agem como se fossem maiorais sobre os pequeninos, as intocáveis, as irrepreensíveis que não possuem superiores.

 

A anunciada falta de leitos, depois de constatada de perto, parece piada. As megeras telefonam para os miseráveis clientes necessitados (só quem está miseravelmente necessitado aceita a condição de hospitalizar-se, por 15 a 30 dias guardando um leito que lhe dará uma chance remota de que um dia será operado), que se submetem a morrer no leito do hospital esperando o momento da sua operação que nunca chega.

 

Diante do fato anunciado é possível que se faça quantas conjeturas forem necessárias para situações das mais inesperadas. Quando alguém morre em um leito que não tem a sua baixa executada pela central de liberação de leitos, este leito poderá ser ocupado irregularmente, sem conhecimento da central, por muitas vezes, de acordo com o interesse de quem autoriza a internação. O raciocínio é simples! Se existe poucos leitos, um risco altíssimo de contaminação hospitalar, qual é a justificativa de um doente ficar ocupando um leito por vários dias ou até meses? O correto não seria determinar a internação na antevéspera ou até mesmo na véspera da disponibilidade do médico especialista operar?

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 07/2011.