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   Escritores Maranhenses e Paraenses      A crise americana é apenas um panariz
   
Atualizado em 07/02/2016

A CRISE AMERICANA É APENAS UM PANARIZ

 

Nos rincões do Brasil em um passado não muito distante, o setor imobiliário conviveu durante anos com a maior das penúrias que qualquer tipo de indústria poderia conviver e suportar. O descumprimento das responsabilidades contratuais dos financiamentos dos imóveis pipocou por todos os lados, as grandes construtoras quebraram aqui, ali e acolá, não restou pedra sobre pedra do que elas eram; e por terem ficado em estado tão despedaçado, também ninguém teve notícia de que as falidas tivessem sido punidas. Ah! Houve uma premiada! Através da justiça os futuros proprietários receberam centenas de apartamentos em prédios que se encontravam com suas construções adiantadas para que eles administrassem e concluíssem as obras iniciadas. A mais prática das soluções encontradas para evitar o agravamento do prejuízo dos clientes que acreditaram nos construtores descapitalizados.

 

Depois do ato do ressarcimento — em parte — dos incautos compradores, o destrambelho pelos quatro cantos do país ficou incontrolável. Edifícios e mais edifícios prontos e acabados foram ocupados por invasores e até mesmo os inacabados tiveram novos moradores que os invadiram. Após a desorganização generalizada no setor, as famílias começaram a padecer das consequências da inadimplência: casas foram abandonadas, tomadas, invadidas e depredadas. Lá para as bandas dos Estados Unidos da América não foi visto ou noticiado nada parecido com isto. A seguradora quebrou, mas não apareceram acusados ou culpados. Os bancos quebraram e eles receberam como punição, uma grande injeção de milhões de dólares. Foi anunciada a redução de 1,4% nas vendas do comércio em geral, 10% nos negócios dos veículos. E apontaram as maiores das catástrofes: as oscilações das bolsas que se apresentam em baixas em determinados dias e em outros em altas ou normais.

 

As instituições financeiras seculares de repente se apresentam em processo de falência com a cara mais cínica do mundo como se fosse uma coisa natural! E o Henry Paulson, o secretário norte-americano do Tesouro, aparentemente sem a exigência de um simples demonstrativo financeiro por parte dos administradores dos bancos, derrama dinheiro nos cofres deles com a singela explicação de que é preciso saná-los! Mas saná-los de quê? Se eles não tiveram nem tempo de gritarem por socorro! Foram socorridos por antecipação, sem pelo menos a pergunta que seria de praxe por parte de quem os remediava ou do mundo financeiro “Como de repente eles ficaram sem o capital que alegaram possuírem durante décadas?” é muito mais do que suspeito a omissão desta indagação que se fazia necessária!

 

A tensão que os Estados Unidos o todo-poderoso emaranhou ou fabricou internamente e externamente interligou-se com o fato de que ela fazia parte — estava no topo — de uma entre tantas questões fechadas, era, e ainda vai continuar sendo primordial a queda do preço do petróleo e logo em seguida, muito próximo: cobrir ou remediar o prejuízo dos bilhões de dólares torrados na guerra que parece não ter fim! E de quebra, embora não transparecessem tão claramente — igual aos países que agiam de forma inequívoca — eles decidiram que aproveitariam para forçar a saída dos estrangeiros indesejados. Para a fertilidade de uma mente que não se cansa de imaginar, voltar no tempo até o momento em que se possa conceber uma suposta reunião de cúpula será apenas um leve exercício imaginativo. É possível que o encontro dos poderosos, entre eles o presidente Bush e os para quem ele deu voz tenha se desenrolado mais ou menos assim:

 

— Henry fale das suas preocupações como se fossem nossas também.

 

— Sim senhor presidente. O projeto alusivo ao montante das centenas e centenas de bilhões de dólares que se fortalecerá com o formato de prejuízo inexorável no decurso da história dos EUA está aqui olhando para todos nós. E eu não sei como referendá-lo sem que os senhores o referendem comigo!

 

— Faz sentido a sua temeridade! E o que você tem para nos dizer relacionado com a primeira das nossas inquietações? O astronômico preço do petróleo?

 

— Digo que o petróleo é a luz no final do túnel para cobrirmos o déficit das centenas de bilhões de dólares, que financiaram a guerra maldita na esperança de que tomaríamos posse daquele petróleo, que não era nosso e pelo jeito jamais será, pois o conflito se arrasta sem perspectiva de definição neste governo!

 

— Isto significa dizer que providenciaremos a execução das medidas discutidas e decididas na última reunião?

 

— Sim senhor! Trabalharemos com os índices de queda do preço do petróleo, pois na mesma proporção que eles caírem usufruiremos lucros reais na nossa conta de importação do produto. E, além disso, calaremos as besteiras do nosso desafeto que comanda a Venezuela! Com pouco dinheiro entrando e o produto dele relegado a míseros 50% do que custava, acaba a valentia dele!

 

— Ótimo! Faremos isto! E como o mundo olhará para nós?

 

— Não deixaremos que o mundo inteligível perceba a nossa estratégia, esconderemos o olho inflamado do panarício econômico, que provocará a quebradeira das nossas instituições financeiras. Espremeremos as economias emergentes pelas adjacências, elas passarão a conviver sem o conforto do crédito internacional, as torneiras serão fechadas! Vamos derramar rios de dinheiro sobre os Bancos Hipotecários, empresas de Securitização, Bancos de Investimentos e começaremos por uma grande seguradora, a AIG. Logo em seguida o Departamento do Tesouro anunciará um pacote de socorro aos bancos no montante de US$ 700 bilhões para salvá-los de supostas dificuldades. Precisamos causar um impacto na produção, no comércio, no financiamento e no consumo. No primeiro momento surgirão os efeitos e as consequências: a desconfiança do poupador, do investidor, do produtor e do consumidor. Menos petróleo será queimado pelos produtores com receio do que poderá acontecer. O preço do barril do petróleo despencará vertiginosamente; e se estivermos certos nos nossos cálculos e nas nossas previsões ele se esborrachará em um patamar abaixo da metade da cotação de hoje que é de US$ 147,00 o barril!

 

— Mas isto será maravilhoso Henry! Com cinquenta por cento de redução na nossa conta de importação do combustível — durante seis ou doze meses — é tudo o que precisamos! Recuperaremos o que foi perdido na guerra do Iraque; o que aplicarmos no fortalecimento mascarado do nosso mercado financeiro e aumentaremos o nosso estoque de petróleo para aguentar até resolvermos esta incômoda dependência energética dos medíocres países produtores! Eles não aguentarão a redução do consumo, que para eles será o presságio de uma crise mundial!

 

— Mas e se causarmos uma recessão generalizada?

 

— Servirá para separar os fortes dos fracos! Aqueles que tiverem condições de retesarem os seus músculos financeiros para receberem o impacto, continuarão de pé, com a condição de financiarem as suas produções e exportações!  E quem sabe nos livraremos de muita gente de fora que está aqui dentro e não serve para nada! Refiro-me inclusive aos que estão na legalidade!

 

— Senhor Presidente vamos considerar agora as variáveis! Digamos que o nosso estratagema se revele eficiente e depois de um determinado período em que já conquistamos tudo o que almejávamos, mas mesmo assim o mundo financeiro se mantém recessivo! O que faremos?

 

— Usaremos os nossos esforços na condição de maior economia do planeta, para que tudo volte ao normal! Como era antes! Esta função caberá aos nossos amigos Obama e McCain aqui presentes, mas que infelizmente ainda não podem se pronunciar, pois se trata de uma tarefa exclusiva do presidente eleito!

 

Atualmente o custo do barril do petróleo oscila entre US$ 58 e US$ 60 e a crise anunciada está se aproximando para fechar o terceiro mês da felicidade americana. Não é uma felicidade que possa ser demonstrada, até mesmo porque acaba sendo proibido decantá-la no seu próprio solo. Para os que provocaram a ruptura do equilíbrio financeiro, é mais importante a certeza de que estão festejando em cima dos lucros e contabilizando bilhões de dólares para os cofres do tesouro, do que descobrir quem está sofrendo com o contentamento deles! Não faz mal que sofram! Depois eles serão recompensados!

 

O que o mundo foi induzido a chamar de crise, pasmem! Ela não existe de fato, foi colocada no momento e no local certo, com o cuidado de não deixar que ela se desvencilhasse de sua verdadeira serventia. O capital das instituições financeiras, dos bancos de investimentos e dos investidores não desapareceu dos cofres equipados com os maiores e mais modernos sistemas de segurança como se fossem as águas dos rios que desaparecem nos mares, as moedas conversíveis circulantes não são simbiontes. Por causa desse detalhe irreversível, os recursos monetários que os países e os que investem possuíam antes do alarme falso, continuam exatamente onde estavam anteriormente! As notícias sobre as finanças, por mais estapafúrdias que pareçam, nenhuma delas disse que os milionários sacaram suas fortunas dos bancos e levaram para guardar em suas casas! Também não foi anunciado que as compras e vendas de ações pararam por falta de dinheiro para transferir de um país para outro! Está sendo anunciado, que cada um dos mandatários ao redor do mundo, embarcou ou vai embarcar na arca do Bush, pois nenhum deles está preparado para cometer a tolice de contrariá-lo, nem mesmo o estadista Lula, que recebeu uma descompostura e calou a boca! Para eles é melhor que estejam embarcados juntos na companhia da força monetária, do que ficarem em terra, espalhados e protestando enquanto permanecem na mira dos mísseis econômicos teleguiados na direção dos discordantes! Não procure a verdade nos olhos ou no tom da voz dos Chefes de Nações, lance mão de uma lupa e se esforce para enxergá-la nas entrelinhas dos seus discursos encomendados!

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 01/2010.