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   Escritores Maranhenses e Paraenses      A Amazônia amarga a sua decepção

   
Atualizado em 07/02/2016

A AMAZÔNIA AMARGA A SUA DECEPÇÃO

 

Amazônia melhore o seu semblante, não guarde tanto ressentimento, eu estou me esforçando para entender os seus queixumes. Não seja tão dura e tão drástica. O homem é um Estadista de verdade, completo, já suplantou alguns dos presidentes que o antecederam, não vou relacioná-los, pois você sabe de quais presidentes eu estou falando, ele não carrega mácula, mas leva em sua companhia para cima e para baixo, a certeza que os eleitores dele acreditam em tudo o que ele fala. É por este motivo que ele nunca sabe de nada; e está sempre prometendo alguma coisa para os que o elegeram. O companheiro sabe o que faz, não é à toa que ele sobe e permanece no palanque com a companheira, articulando com maestria para que ela sente na cadeira dele na virada do mandato.

 

Como assim Amazônia? Eu não entendi! Ah! Isto é bobagem! A atuação de um excelentíssimo jamais deverá ser medida calcada em detalhes! Um dedo a mais um dedo a menos, com diploma ou sem diploma, não faz a menor diferença. Todos os corruptos que foram demitidos do governo, contavam os dez dedos das mãos; e muitos dos que se deixaram arraigar pela mania de política e que estão dentro ou fora do elenco governamental possuem todas as unhas das mãos e diplomas de diversas especialidades, mas mesmo assim nunca ocuparam e jamais ocuparão o cargo mais importante da nação. Eles se vangloriam de suas mãos perfeitas, porém, goza de maior influência e competência quem domina a perseverança — e na arte de persistir o camarada sempre foi autoridade formou-se sem precisar de diploma — mais de vinte anos perseguindo a presidência!

 

Ah, não Amazônia, sinceramente eu não posso lhe repassar essa informação, para mim era indiferente se ele trabalhava ou se prestava serviço para alguém.

 

Não! Nunca conheci um especialista que fosse esclarecido sobre este assunto.

 

Ah, sim, isto sim! Durante os anos em que ele se manteve firme ocupando o cargo de candidato de chefe da nação, sempre se apresentou bem alimentado e elegantemente vestido e provavelmente com um bom salário no bolso. Mas vamos deixar este tema de lado, não interessa.

 

Calma, fique tranquila. Amazônia por que você faz questão de falar para uma civilização que não é a sua? Não precisa se preocupar, eu traduzo os seus palpites, assim como estou fazendo. Ah, não serve! Você está insatisfeita! Faz questão de falar! Tudo bem! Fala então!

 

— Eu estou decepcionada porque presenciei pela televisão o momento em que o grande estadista disse para o mundo que o meu dono é o povo. E pelo o que eu conheço tudo o que pertenceu ao povo já não pertence mais. O petróleo era do povo, agora é da Petrobras. A titularidade foi perdida, arrancada das mãos do povo sem explicação e sem pagamento. Ele só foi declarado dono do petróleo na época em que a Petrobras se viu ameaçada de se tornar 100% estrangeira. O país inteiro ficou repleto de outdoor que apelavam “O PETRÓLEO É DO POVO”. E hoje ele é da Petrobras e de investidores milionários do mundo inteiro! O minério era do povo, agora ele é da bem sucedida vale. O antigo dono não recebeu nada pela transferência de propriedade. O ouro da serra que não tinha cabelo era do povo, agora ninguém se arrisca dizer por onde ele anda. A praça era do povo, atualmente ela é dos pervertidos, dos travestis e dos mendigos. Gostaria que você me defendesse.

 

Mas eu já fiz a sua defesa com a valentia que eu me permiti em uma das minhas crônicas “Amazônia! Bela dona! Sem dono para cantar de galo!” aqui mesmo neste espaço. Lamentavelmente o Companheiro não entendeu por inteira — a essência — da mensagem que eu mandei para ele, quando eu disse “Aparentemente a Amazônia não tem dono, e é por ela não ter dono que o resto do mundo se acha seu dono. É inadmissível que todos os países se achem no direito de falar com convicção que a Amazônia é da humanidade, é um bem público global. O cacete que é! A Amazônia tem dono! Infelizmente o dono está temporariamente com a vista embaçada, ele não consegue ver que a maior fonte de renda que o país possui, é a Amazônia!”.

 

— Sim! É verdade, eu vi a sua defesa! E uma semana depois do que você escreveu. O estadista bradou com bravura “A AMAZÔNIA TEM DONO, ELA É DO POVO!” ah! Como eu fiquei triste quando ele disse que eu sou propriedade do povo! Eu não quero pertencer a um dono que não defende os seus pertences! Como é que eu sou do povo se na casa dos que são considerados povo, eu não me faço presente! São casebres povoados de gente que senta no chão, dorme no chão, guarda as roupas em caixas de papelão e comem com os pratos de plásticos — comprados por R$ 1,99 (UM REAL E NOVENTA E NOVE CENTAVOS) — sobre as pernas para não colocá-los no chão! Eles nunca tiveram e certamente jamais terão dinheiro para comprarem ao menos uma cama de madeira, para dormirem como dormem as pessoas decentes! Pelo amor de Deus! Como é que um proprietário deste perfil vai me defender? Ele está-se lixando, se estão cortando ou queimando madeira! Não interessa! Eles vivem preocupados procurando um meio de arranjar comida! A minha preocupação tem elementos para que possa ser levada em consideração?

 

A sua inquietação tem mais motivação do que você possa imaginar, ela é fundamentada nos aperreios que você passa quando sente na própria pele que estão lhe desmatando e queimando sem que ninguém a proteja de verdade. E as grandes potências financeiras lhe enxergam desprotegida, isto eu mostrei na mesma crônica citada quando disse “(...) Exatamente a Amazônia que todos os olhos estão voltados para ela e todos os dedos apontam na direção do dono acusando-o de não saber administrá-la, por permitir a destruição da mata por meio da extração ilegal da madeira. E estes mesmos dedos que apontam acusando, apontam mostrando números, e eles mostraram que o maior desmatamento da história da bela Amazônia deu-se (...)”. E esta acusação chega a ser uma coisa escandalosa que até mesmo o vice-presidente dos EUA reagiu como se tivesse reagido ao que foi dito com clareza e determinação, no trecho acima citado da crônica. Ele proferiu “A Amazônia é do mundo, não pode ser só do Brasil”. Depois que esta besteira foi falada, o presidente foi ríspido e disse para todos os que viessem a ouvi-lo, que você minha amiga, tem dono sim!

 

— Mas o dono que ele me deu eu não quero! Sinceramente eu estou torcendo para que ele fale novamente com rispidez que o meu dono é a União! Eu preciso veementemente contar com a certeza de que as forças armadas me defenderão de tudo e de todos! Existe alguma parcela de chance para que a declaração prestada antes possa ser refeita?

 

Eu também concordo com você que ele deveria ter nomeado a União o seu proprietário exclusivo, mas eu acho difícil que ele volte a falar para emendar o que enunciou. Ele não emendará porque a ação da recusa dele deixará implícito um sentimento que talvez você não conheça lá no meio da sua floresta. O poder que ele controla nas mãos, na caneta e na voz faz com que ele arrogue para si o direito de determinar para você, o dono que ele achar apropriado sem que seja contrariado na decisão tomada por ele.

 

— Você por acaso está falando de arrogância? Mas este comportamento eu presencio quase todos os dias na minha mata! As minhas árvores centenárias altíssimas, frondosas de tronco grosso. Elas não abrem luz para as outras árvores que se desenvolveram ao redor delas, pois acreditam que são fortes poderosas e inalcançáveis. No entanto no dia em que os homens malignos munidos de motosserras as cortam praticamente rente com o solo, desaba junto com elas a soberbia de décadas e descobrem que o poder que imaginavam usufruir, era ilusório. E veem a insignificância delas perante as que lhes pareciam fracas. Estamos falando da mesma matéria que discutíamos?

 

Sim! É exatamente sobre isso que eu me esmerei em lhe esclarecer!

 

— Tudo bem! Eu tenho convivido com muitas árvores insolentes! Mas eu me recuso a servir de ludíbrio de mandatários, não deixarei que eles me joguem para um lado e para outro. O que eu preciso é de um possessor que faça o seu papel de macho e mate a fome dos que estão me comendo!

 

Quem está lhe comendo? Confesso que eu não entendi!

 

— As minhas vísceras — as árvores que já se foram e as que ainda estão de pé — são tombadas, arrastadas, cortadas em toras, em tábuas e depois serradas nas bitolas das importadoras. Tudo é feito com a maior das crueldades e com o intuito de matar fome em uma cadeia crescente! O primeiro que derruba tem fome constante, ele nunca armazena nada para o mês seguinte, vende a produção dele por uma miséria para o atravessador que vende para o madeireiro por uma ninharia para que ele possa matar a fome dele, dos seus funcionários e dos fiscais do IBAMA. Da serraria em diante a madeira passa a matar a fome dos dois maiores culpados da minha devastação: o banco oficial do meu país, que libera financiamento de carta de crédito dos importadores para os madeireiros — se não fossem financiados eles não conseguiriam me derrubar — que precisam ganhar muito por causa das propinas para liberação dos empréstimos. Em segundo lugar estão os países importadores — os cínicos que mais reclamam do meu desmatamento — são eles que fomentam o desflorestamento.

 

Você é uma bela dona corajosa! Escancarou para o mundo o que fazem com os seus intestinos e de que forma os culpados se alimentam deles! Parabéns grande guerreira!

 

— O que estamos fazendo é condenável? Será que tem a mesma gravidade de uma determinada revolta que eu já presenciei por várias vezes?

 

Depende! Com que tipo de rebelião você está comparando a sua recusa em aceitar o proprietário que lhe apontaram?

 

— As bestas do cangalheiro quando empacam escoiceiam-no esquecidas que ele é o que manda. O legítimo representante do dono! Sempre achei que os coices aplicados pelos animais de cargas, simbolizavam adequadamente o ápice da ingratidão! A minha reivindicação está com cara de mal-agradecida diante do representante maior da União, o meu dono?

 

Esqueça os seus receios, não estamos fazendo nada reprovável. E o homem que na política merece o título de doutor honoris causa, não nos condenará, pois é versado principalmente nos interesses dele e do país! O que acabamos de fazer foi: eu concluí e você participou de um apólogo! Nada mais!

 

 

 

 

Autor:

EDVAN BRANDÃO

Licenciatura Plena em Língua Portuguesa;

Professor de: Português, Literatura e Redação;

Jornalista e Escritor Ficcionista;

E-mail: edvan.brandao@gmail.com

           edvan_brandao@hotmail.com

Cel: 91 98360 – 1718

Escrito em 01/2010.